Buracos negros
De patologias matemáticas ao Nobel de 2020

Buracos negros brotaram naturalmente das equações da relatividade geral, teoria da gravitação proposta no início do século passado por um dos maiores cientistas de todos os tempos. Mas esses corpos cósmicos – sugadores vorazes de matéria e luz – só foram alçados da seara teórica nas últimas décadas, passando de mera especulação a melhor explicação para os dados observacionais. 

Buracos negros são, possivelmente, os objetos mais extraordinários que existem em nosso universo. Mas essa confiança em que, de fato, essas regiões exóticas previstas matematicamente pela teoria da relatividade geral encontram lugar no mundo físico é relativamente recente. Sua aceitação foi imposta à comunidade de físicos e astrônomos por uma coleção de evidências teóricas e observacionais, mas não sem muita relutância.

O conceito moderno de buracos negros tem origem quase simultânea à formulação do arcabouço teórico que os descreve. A relatividade geral foi finalizada pelo físico de origem alemã Albert Einstein (1879-1955) em 1915 e viria a suplantar a descrição dos fenômenos gravitacionais que prevalecia desde a teoria idealizada pelo físico britânico Isaac Newton (1742-1727) cerca de 250 anos antes.

Raissa P. F. Mendes
Instituto de Física,
Universidade Federal Fluminense

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