Peste Antonina:
a primeira pandemia do mundo antigo

Uma doença que possivelmente surgiu na China, espalhou-se rapidamente pelo mundo devido à grande circulação de pessoas e gerou milhões de mortes. Uma doença com notícias falsas relacionadas à sua origem. Uma doença que provocou a fuga dos mais abastados para refúgios no campo, levando contaminação às áreas rurais. Apesar das semelhanças com a pandemia de covid-19, todas essas características são da epidemia da Peste Antonina, que atingiu duramente Roma e toda a bacia Mediterrânica (hoje Europa, Ásia e África) no século 2 d.C., no auge do poder do Império Romano. A doença foi responsável pela primeira pandemia de que se tem registro.  

Inúmeras epidemias se sucederam ao longo da história. Sobre algumas delas, dispomos de documentação abundante para estudos; no entanto, quanto mais distantes no tempo e no espaço estão esses eventos, mais difícil é a sua análise. Os primeiros registros históricos de epidemias provêm do Mundo Antigo, da bacia mediterrânica (Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma, Judeia etc.). Vêm dessa região também todos os termos utilizados até hoje para designar a contaminações por doenças em grande escala (como epidemia, pandemia, peste e praga). Os romanos utilizavam a palavra pestis para descrever grandes destruições, catástrofes ou calamidades, inclusive as epidêmicas. Os gregos adotavam o termo epidemios (epi e demos, que significam ‘sobre o povo’), nosos (doença) ou loimos (praga/peste). Hoje, nós também usamos a palavra pandemia (pan e demos, que significam ‘sobre todo o povo’), para designar doenças em escala global, como caracterizamos a covid-19.

Deivid Valério Gaia
Instituto de História,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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