O cuidar e a arte

Enfermeira, assistente social, compositora, cantora, negra e sambista, dona Ivone Lara foi pioneira em vários aspectos: destaque para a introdução da música na terapia de alienados, como complemento da reforma psiquiátrica inaugurada por Nise da Silveira.

Credito: Foto Wikicommons Natalia Bezerra

Diferentes na cor da pele e nos caminhos que escolheram, as vidas de dona Ivone Lara, que se tornaria referência no samba, e de Nise da Silveira, psiquiatra reconhecida mundialmente, se cruzaram em prol de um bem comum: a recuperação da saúde mental de pessoas, chamadas de ‘pacientes’, internadas, medicalizadas e muitas delas abandonadas por familiares à própria sorte.

O repertório musical de dona Ivone Lara (1922-2018) é referência para inúmeros cantores e compositores. Sua arte é homenageada em teses de doutorado, dissertações de mestrado, artigos científicos, entrevistas e documentários que ressaltam o vigor de sua carreira como compositora e cantora. Poucos sabem que a biografia desta, que foi apelidada de ‘rainha do samba’, inclui as profissões de enfermeira e assistente social, alinhadas com o trabalho e as pesquisas da psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999).

Maria Itayra Padilha
Laboratório de Pesquisas em História do Conhecimento em Enfermagem e Saúde
Universidade Federal de Santa Catarina

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