A Terra à beira do ponto de não retorno

Ecossistemas, sociedades e até o planeta como um todo passam por mudanças em resposta aos impactos das atividades humanas. Entender esses processos tem sido um desafio para os cientistas. Por vezes, as transformações são graduais, previsíveis, e a restauração ao estado inicial é relativamente fácil. Mas as atividades humanas também podem ocasionar mudanças radicais, em que a recuperação é difícil ou impossível. A crise climática e a superpopulação podem ser gatilhos para uma mudança tão abrupta que leve a Terra ao chamado ponto de não retorno.

CRÉDITO: FOTO ADOBE STOCK

Na noite de 31 de dezembro de 1988, a embarcação turística Bateau Mouche partiu da Enseada de Botafogo rumo à queima de fogos da Praia de Copacabana, tradicional no Réveillon do Rio de Janeiro. Eram entre 142 e 153 pessoas no barco, não se sabe ao certo. Com o mar agitado, poucas horas após o embarque, o barco tombou, virou e foi a pique, e 55 pessoas morreram. O que levou à tragédia? Quando construída, nos anos 1970, a embarcação suportava 20 pessoas, mas, em desprezo às normas de segurança, o convés superior foi modificado, incluindo piso de cimento e a instalação de duas caixas-d’água, totalizando quatro toneladas. Investigações mostraram que a superlotação e a reforma comprometeram a estabilidade do barco.

Mas o que esse desastre tem a ver com o chamado ponto de virada ou de não retorno, que é quando um bioma perde seus serviços sistêmicos, ou seja, para de funcionar? Será que ecossistemas e sociedades podem “virar” como um barco?

Jandeson Brasil
Departamento de Botânica
Universidade Federal de Minas Gerais

Lucia H. S. Silva
Departamento de Botânica
Museu Nacional

 Alessandra Giani
Departamento de Botânica
Universidade Federal de Minas Gerais

Edição Exclusiva para Assinantes

Para acessar, faça login ou assine a Ciência Hoje

Abrir Chat