Testemunha ocular da ciência

Membro da corte britânica no século 17, Margaret Cavendish participou de reuniões e debates com renomados intelectuais da época, deixando uma obra literária que aborda temas científicos.

Se hoje em dia, em pleno século 21, as mulheres ainda lutam para ter reconhecimento em suas áreas de atuação – entre as quais as ciências, as artes e a literatura –, imaginem no século 17. A britânica Margaret (Lucas) Cavendish (1623-1673), duquesa de Newcastle, deixou uma profícua obra literária com temas científicos. Tão fascinada por átomos, ela escreveu 50 poemas sobre eles.


O conjunto completo dos poemas atômicos de Cavendish está disponível no Emory Women Writers Resource Project, ainda sem tradução para o português

O conjunto completo dos poemas atômicos de Cavendish está disponível no Emory Women Writers Resource Project, ainda sem tradução para o português. Entre os títulos desses poemas destacam-se ‘Um mundo feito de átomos’, ‘O peso dos átomos’, ‘A diferença entre átomos e movimento’.

Margaret Lucas era membro da corte da rainha Henriqueta Maria de França (1609-1669) quando a guerra civil na Inglaterra forçou a realeza a fugir para Paris. Lá ela conheceu William Cavendish, marquês de Newcastle, com quem se casou em 1645. William e seu irmão, Charles, haviam formado em 1640 o Círculo de Newcastle, uma espécie de clube para debate de ideias no qual interagiam muitos intelectuais do período. Ao se casar, Margaret pôde conhecer e participar de discussões com o filósofo e matemático inglês Thomas Hobbes (1588-1679) e os franceses René Descartes (1596-1650) e Pierre Gassendi (1592-1655), entre outros.

Nadja Paraense dos Santos ([email protected])

Instituto de Química
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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