Em 1 de setembro de 1983, o Boeing 747-230B que realizava o voo KAL-007, da Korean Airlines, partindo do aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova Iorque, rumo ao aeroporto de Gimpo, em Seul, na Coreia do Sul, foi abatido por caças soviéticos.
Um erro de navegação na rota daquela nave fez com que ela sobrevoasse o espaço aéreo soviético, causando o ataque: a força aérea da então União Soviética tratou a nave como ‘avião espião’ dos Estados Unidos e a destruiu com mísseis lançados por seus jatos.
Ocorrido em plena Guerra Fria, o evento trágico deixou 269 mortos, sem sobreviventes. O fato gerou protestos internacionais – especialmente, nos Estados Unidos, cujo governo aproveitou a chance para reforçar sua propaganda contra a União Soviética.
Em 16 de setembro daquele ano, o presidente dos Estados Unidos à época, Ronald Reagan (1911-2004), anunciou que o sistema de navegação desenvolvido pelas forças armadas estadunidenses, no âmbito do projeto Navstar, seria disponibilizado globalmente até 1988, para evitar novos acidentes, como o do voo KAL-007.
Essa decisão também tinha uma motivação política: reforçar a imagem dos Estados Unidos como uma potência mundial benevolente.
Em seus primeiros anos, o sinal do sistema de navegação foi liberado de forma ‘degradada’, ou seja, com cerca de 100 metros de erro nas posições. A liberação do sinal não degradado só ocorreu no governo de Bill Clinton, em 2000.
Hoje, esse sistema de navegação é popularmente conhecido como GPS (sigla, em inglês, para Sistema de Posicionamento Global). Aqui, já há fatos sobre o GPS que, talvez, não sejam de amplo conhecimento público: ele pertence e é mantido pelo governo dos Estados Unidos e foi desenvolvido com fins militares.
Nas décadas seguintes, por questão de segurança nacional, surgiram sistemas semelhantes: Glonass, da Rússia; BeiDou, da China; e Galileo, da União Europeia; entre outros. Neste artigo, empregaremos a sigla GPS para se referir a todos esses sistemas de navegação, dado o uso corriqueiro do termo.
Na área civil, o GPS se tornou uma ferramenta extremamente útil. É usado, por exemplo, na navegação pessoal, no trânsito das cidades, no rastreamento de veículos, na movimentação de máquinas na chamada agricultura de precisão, no monitoramento de movimentos sísmicos e na sincronização de relógios.
Sabemos que sua importância no mundo moderno é enorme. Mas como funciona o GPS? Como é possível usar um telefone celular para saber nossas coordenadas espaciais em praticamente toda a superfície da Terra?
Vamos analisar algumas das ideias científicas por trás do GPS.