Abelhas da noite

Espécies noturnas, que dependem da intensidade de luz para visitar flores à noite, vêm sendo cada vez mais estudadas por seu potencial para polinizar importantes culturas agrícolas e por suas adaptações visuais que inspiram aplicações tecnológicas.

Existem no mundo aproximadamente 20 mil espécies de abelhas descritas pela ciência. Apesar dessa riqueza, poucas são as conhecidas pelo público geral. A  abelha-do-mel ou europeia (Apis mellifera) é a mais popular. Esses insetos fazem um serviço ecossistêmico essencial, a polinização, que é o processo de transferência de grãos de pólen de uma flor para outra, o que dará origem a sementes e frutos. Esse serviço tem grande apelo por garantir a segurança alimentar global, uma vez que as abelhas polinizam cerca de 75% das culturas agrícolas mundiais.

As abelhas são tipicamente diurnas, mas 1% delas (em torno de 250 espécies) tem atividade noturna. Elas podem voar nos crepúsculos, antes do amanhecer e também após o pôr do sol, ou, ainda, durante toda a noite ou na maior parte dela. A principal hipótese dos cientistas é que essas abelhas desenvolveram o hábito noturno como fuga de competidores por recursos florais durante o dia e também como forma de evitar inimigos naturais mais comuns no período diurno, como os parasitas de seus ninhos. De fato, as abelhas noturnas têm vantagem em relação às espécies diurnas, uma vez que se beneficiam por serem as primeiras a chegar nas flores cheias de pólen e néctar.

Rodolfo Liporoni e Guaraci Duran Cordeiro

Instituto de Biociências
Universidade de São Paulo

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